Nova pesquisa da UnB faz mapeamento dos gastos do GDF com setor privado

A nova pesquisa do Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal (ObservaDF), projeto vinculado à Universidade de Brasília (UnB), analisou as despesas do Governo do Distrito Federal (GDF) no setor privado.

Com o tema “Espacialização e impacto das despesas públicas no setor privado do DF”, os dados estão disponíveis no site e no canal oficial do ObservaDF no YouTube.

O objetivo da pesquisa foi avaliar o papel do GDF como consumidor de bens e serviços por meio do mapeamento das compras públicas e contratação de serviços entre 2016 e 2020.

O estudo traçou ainda o perfil de consumo do estado e identificou como ele pode fomentar a economia local por meio de seu gasto e investimento. O professor da UnB e um dos pesquisadores do ObservaDF Frederico Bertholini explica como foi feita a análise:

“Nós olhamos para a distribuição. Vimos quais são as empresas do setor privado que recebem recurso do GDF, onde estão localizadas, quais as principais funções do governo associadas a essas compras, e por fim tentamos identificar o efeito dos recursos do governo distrital na variação de vínculos de trabalho. Ou seja, queremos ver se empresas que foram contratadas, que receberam recursos do GDF, contrataram mais trabalhadores ou não”.

Frederico também ressalta que, de 2016 a 2020, as despesas com o setor privado foram em média de 6,89 bilhões por ano, o que representa, aproximadamente, 23% da despesa total.

“Com o estudo, foi possível identificar que o GDF tende a comprar mais de empresas privadas localizadas na própria capital, sendo a maior parte dos recursos do governo destinados a pagamento de credores do próprio DF”, afirma Frederico. O valor gasto em empresas do território foi em média 5,66 bilhões por ano, o que representa, aproximadamente, 82% da despesa no setor privado entre 2016 e 2020.

Empregos
O relatório avaliou como os recursos gastos em empresas locais contribuem para a fomentação de empregos na capital. Na comparação entre empresas do DF que receberam recursos do GDF e empresas que não receberam recursos, as que receberam são mais antigas e têm, em média, mais empregados. No setor de comércio essas diferenças são menores e no de construção são maiores.

“Nós também fizemos um exercício, empregando métodos estatísticos quasi-experimentais para medir o efeito de receber recursos Governo no nível de emprego, porém os resultados gerais não apontam que exista esse efeito”, explica o professor.

Distribuição de pagamentos
De acordo com o estudo, há grande concentração de empresas contratadas no Plano Piloto, seguida de Taguatinga, Ceilândia, Guará e Samambaia, com pequena presença também em Gama, Sobradinho e pontos mais longe, como em Brazlândia e Planaltina.

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